Nada de assistencialismo, benemerência, piedade

Na poesia de Cecília Meirelles a timidez é retratada como um gesto não feito, uma palavra não dita, um sujeito incógnito a ser decifrado. 

Mas, conhecendo e exercitando o que Platão dizia, “Seja compreensivo, pois cada pessoa que você encontra no seu caminho está lutando uma dura batalha”, fizemos outra leitura. 

Com acolhimento constante, ela pode falar de suas “batalhas”: uma mal formação congênita, cirurgias, exagerada proteção de sua mãe, um ambiente doméstico com muitas questões importantes, suas expectativas pouco atendidas. 

Havia sempre atravessada nos seus relatos a tônica de ser coitada, merecedora de piedade, o que não era sustentado pelos profissionais com quem conversava. Isso aparece com frequência no comportamento de jovens com deficiência e familiares, decorrente de todo equivocado retorno social que tiveram ao longo da vida.

Pelo contrário, como participava de todas as atividades com produções de qualidade, a cada escuta, recebia como retorno as evidências de suas capacidades.  

Como também revelava ter uma percepção bastante sensível e realista das situações difíceis que vivia, pode reconhecer seu potencial, enquanto este era mobilizado pelas propostas das oficinas. Perceber que apenas se encontrava fragilizada, embora fosse muito capaz. Deu-se conta de que ser frágil não significa ser fraco e, sim é uma decorrência de ter uma percepção interna mais intensa, sobre si mesma e seu entorno.

Então, outra importante habilidade pode descobrir ao participar do coro rítmico da ABRACE. Assim, foi cantando e sendo aplaudida que pode melhor observar-se. Afinação, ritmo e paixão passaram a substituir a tal chamada “timidez”. 

Quando passa a sustentar sua sensibilidade de outra maneira, não mais se vendo como “coitadinha”, cadê a timidez????

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